Nos últimos três dias trabalhei 54 horas. Decerto motivada pelo meu complexo de inferioridade relativamente a todas as outras criaturas que trabalham no hospital e que tal como eu empregam termos técnicos para se explicarem, hoje decidi passar as curtas 8h de liberdade que tenho a estudar. Porque, vá-se lá perceber, apercebi-me há uns dias que estou enferrujada em algumas coisas. Provavelmente porque sinto necessidade de não me sentir tão abaixo e não por acreditar que tenho o dever de compreender o que se passa diante dos meus olhos que se passeiam horas e horas e horas em frente aos doentes e que tentam não os deixar fugir por entre os dedos, para que vivam e estejam bem. Talvez, não por amar profundamente o que faço, mas porque quero que toda a gente se sinta maravilhada com a minha (parca) inteligência.
Só espero que chegados ao hospital, pessoas que por aqui se passeiam com ideias feitas acerca de quem somos, não se deparem com pessoas como eu (ia ser feio, e eu desejo-lhes o melhor).
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